Relatos de Corredores

 

        Nesta seção você poderá relatar as suas experiências como corredor. Conte-nos qual foi a melhor corrida da qual você participou. Para perpetuar aqui a sua experiência é só nos enviar um e-mail.
Não esqueça de colocar o seu nome completo, idade e a cidade onde reside.
     
               
        Maratona da China
maio/2004 - Rodolfo Reckziegel de Lucena
     
               
        Em maio passado, corri uma maratona que tem trechos sobre a Grande Muralha da China. Foi uma experiência sensacional.

Para conhecer esta experiência, visite o site www.geocities.com/grandemuralha2004 , que traz a cobertura da prova e outros textos, além de acesso para albuns virtuais de fotografias.

     
               
               
        Maratona de Nova Iorque
09/03/2004 - Sylvia de Albuquerque Carvalho
     
               
        Alguém disse, certa vez, que não se pode passar por esta vida sem ter tido um filho, plantado uma árvore e escrito um livro. Para os que gostam de correr e escolheram a corrida como esporte, eu acrescentaria: não se pode deixar de participar da Maratona de Nova Iorque.

Ano passado eu tive o privilégio de viver essa experiência. No dia 2 de novembro corri "A Maratona". Foi meu objetivo para 2003. Uma promessa que fiz na virada no ano, enquanto assistia à queima de fogos na beira da praia, em Maceió, com minha família reunida. Prometi a mim mesma que eu iria correr uma maratona e pedi, com muita fé, força, coragem e determinação para levar este plano adiante.

Representava um grande desafio, sobretudo levando-se em conta o fato de que fui fumante por 20 anos e decidi abandonar o cigarro há pouco mais de dois. Aliás, parar de fumar foi o que me levou às corridas.

Comecei a trabalhar para concretizar meu objetivo. Minha meta era completar o percurso de 42 km, mas ao mesmo tempo não queria arriscar minha saúde em uma aventura irresponsável. Por isso me preparei. Procurei a orientação de um profissional, Rogério Aviani, professor da academia Companhia Atlhética, e segui uma planilha de treinamento. Também fiz um trabalho muscular supervisionado pelos professores Carlos Magno e Rodrigo, e modifiquei meus hábitos alimentares, seguindo um cardápio balanceado indicado pelo nutricionista Léo.

Reconheço que não foi tarefa fácil. É preciso muita dedicação e força de vontade, principalmente quando se tem que conciliar tantas tarefas: de mãe, professora, servidora pública, dona de casa, motorista, estudante e por aí vai. Arrumar tempo para ser também atleta é um tanto quanto complicado.

Mesmo assim, eu fui persistente. Treinos na chuva, no frio, debaixo de um calor escaldante, enfrentando o clima seco da cidade... nada me fez desistir. E o resultado não poderia ter sido mais compensador. Conclui a prova em 4h34. Uma prova marcada de emoção. Vi cegos, pessoas com perna mecânica, filhos prestando homenagem aos pais recém-falecidos, pais agradecendo pela cura de filhos, marido pedindo pela saúde da esposa, casais já de cabelos brancos fazendo o percurso de mãos dadas. Muitas vezes meus olhos se encheram de lágrimas e meus batimentos cardíacos se aceleraram.

Tudo começa na largada, ao som de New York, New York. A entrada na Primeira Avenida é algo difícil de descrever. Milhares de pessoas na rua, de um lado e do outro, com bandeiras, faixas, cartazes, gritando e incentivando os atletas como se fossem parentes íntimos. E durante todo o percurso não é diferente.

Crianças ficam com o bracinho esticado e vibram quando você toca de leve em suas mãos. Recebi um lenço de uma delas para limpar o suor do rosto e senti-lhe a felicidade por ter sido útil ajudando alguém. Nem consegui agradecer porque minha voz não saiu. Diversas bandas tocam ritmos variados pelo percurso. Vi algumas bandeiras do Brasil e me arrependi profundamente de não ter levado nada que me identificasse como brasileira. O certo é que ver uma bandeira brasileira fez o coração bater mais forte, muito mais.

A entrada no Central Park é o máximo. O som parece que se amplifica e começa uma contagem regressiva de milhas e quilômetros. Na minha mente eu escutava o "Tema da Vitória", que tantas vezes ouvi nas vitórias do Sena na Fórmula 1. A sensação de cruzar a linha de chegada é indescritível. Um misto de dever cumprido, euforia, agradecimento, cansaço, vontade de chorar, de rir, um quase não acreditar que fora possível, que conseguira, que todo o esforço valera a pena. É fantástico! É espetacular! É lindo! Sinto um arrepio no corpo a cada vez que me lembro dessas cenas.

A prova em si é o ápice, mas a cidade começa a viver a Maratona na semana que a antecede. Já é possível sentir o clima de festa ao desembarcar no aeroporto. Desde ali muitos já te desejam boa sorte. E preciso tirar o chapéu à organização - sem dúvida, nota 10. Há uma feira cheia de novidades e movimentadíssima. A Corrida da Amizade, que se realiza no sábado, e tem sua largada na frente do prédio da ONU, reúne pessoas de todas as partes do mundo, muitas vestidas com trajes típicos e cheias de euforia.

Não posso deixar de dizer que, nessa minha estréia, tive a felicidade de contar com um grupo de pessoas muito especiais: Margaret, minha grande companheira, com quem dividi o quarto, os medos e as ansiedades que antecederam a corrida e também a felicidade, a alegria e a emoção da
chegada. Ivo e a esposa Elisa, casal animado e muito atencioso. Jorge e a esposa Gisela, sempre muito simpáticos. E o presidente do CORDF, Adeilton, grande líder, em sua sétima participação que, além de dicas tão importantes, nos levou a percorrer os quatro cantos de Nova Iorque, cidade que parece não dormir, cheia de contrates e surpresas.

Claro que tivemos alguns contratempos, fatos, situações e reações inesperadas, mas nada que não possa ser superado, esquecido, deixado para trás, ao longo daqueles 42 km. Coisas muito pequenas, se comparadas à emoção vivida naquele dia 2 de novembro - que jamais esquecerei e que estará presente eternamente em minha memória.

     
               

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