10ª Maratona Internacional de São Paulo

             
     

Foto: Sergio Shibuya

    Sua principal função era puxar o ritmo dos companheiros durante os primeiros 25 quilômetros de prova.

Mas o mineiro Franck Caldeira (Pé de Vento/Unicsul), de apenas 21 anos, deixou o papel de coadjuvante de lado para se tornar o grande nome da X Maratona Internacional de São Paulo, disputada neste domingo.

Em sua estréia em provas do gênero, ele garantiu o título com o tempo de 2h17min30seg, um minuto à frente do segundo colocado, o goiano Genilson Júnio da Silva (Cruzeiro), vencedor no ano passado.

     
             
      Nem mesmo o fato de ter disputado, e vencido, uma prova de 10 km no dia anterior, em Brasília, impediu Franck de chegar à vitória e confirmar a condição de uma das maiores revelações do atletismo nacional. Pela conquista ele ganhou R$ 15 mil e um carro Fiat Palio 0 Km como melhor atleta nacional.      
             
     

Foto: Sergio Shibuya

    No feminino, a queniana Margareth Karie acabou com uma hegemonia de oito anos das atletas nacionais. Ela deu um verdadeiro show ao liderar a prova desde o terceiro quilômetro, completando os 42.195metros em 2h40min10seg, mais de dois minutos de vantagem para a segunda colocada, a brasileira Marizete dos Santos (Mizuno), que acabou ganhando o carro.

O forte calor e a umidade, aliados às dificuldades do percurso de São Paulo, impediram que fosse conseguido o índice olímpico, tanto no masculino como no feminino.

     
             
      Fora da briga pelo índice e em sua estréia na distância, Franck Caldeira fez uma prova sem pressão. No planejamento, ele estava incumbido de seguir até o quilômetro 25, puxando o ritmo de Alex Januário e William Amorim, que tentavam a classificação para Atenas. Na metade da prova, porém, ele já ocupava a terceira colocação e se sentia bem, fato que o animou para seguir em frente. Quando soube que os companheiros já tinham diminuído o ritmo, Franck apertou o passo para conseguir cruzar a linha de chegada em primeiro lugar.

“Como eu vi que estava bem e já tinha chegado até ali, decidi acompanhar o Genilson. Faltando dois quilômetros senti o cansaço e pensei em desistir da vitória, pois o segundo lugar estava bom demais. Mas ele me incentivou a continuar firme e buscar esse título”, explicou Franck, natural de Sete Lagoas, próximo à capital mineira, e vencedor da Volta da Pampulha em 2003.

O campeão dedicou a vitória ao seu treinador Dr. Henrique Viana. “Essa vitória é para ele, que mudou a minha vida. Isso mostra a qualidade do trabalho que está fazendo em Petrópolis. Tudo o que consegui até aqui foi com a sua ajuda”, afirmou o campeão, que já definiu suas metas. “Vou disputar a São Silvestre, uma prova bastante importante, tentar o índice para os Jogos Pan-Americanos de 2007 e, quem sabe, brigar por uma vaga em Pequim”, concluiu Franck, que também foi elogiado pelo técnico. “Ele já é o melhor do Brasil e provou isso neste final de semana ao vencer duas provas”, declarou Henrique.

O vice-campeão Genilson Júnio da Silva, como era de se esperar, estava chateado por não ter conseguido o índice. “Não imaginava que estaria tão quente. O calor impediu que eu conseguisse manter o ritmo da primeira parte. Com isso, decidi correr para fechar a prova, sem mais pensar em marca”, ressaltou. William Amorim, terceiro colocado, preferiu destacar a dificuldade do percurso de São Paulo. “Este percurso é muito duro. São Paulo não é lugar para se conseguir marca. Você acaba correndo apenas pela colocação”, disse.

DEU QUÊNIA NA PROVA FEMININA

Se no masculino o pódio foi 100% brasileiro, já no feminino a queniana da cidade de Eldorete, Margareth Karie, única estrangeira na prova, estragou a festa das brasileiras. Liderando desde o terceiro quilômetro, Karie terminou a corrida em 2h40min10seg, uma marca bem acima das 2h26 que pretendia fazer. A segunda colocada e primeira brasileira a concluir o percurso foi Marizete dos Santos, com 2h42min54seg, seguida pela companheira de equipe e que já tem vaga garantida para Atenas, Marlene Teixeira dos Santos, com 2h45min31seg.

A prova feminina começou às 8h15, com 23ºC e 50% de umidade do ar, duas horas e meia depois a temperatura já chegava a 28ºC, com 44% de umidade. Apesar da vitória, a queniana não conseguiu atingir um de seus dois objetivos, que eram diminuir seu tempo em maratonas (2h38) e vencer a prova. “O clima daqui é muito quente, o percurso é difícil e nos túneis o calor aumenta mais ainda. Agora entendo porque diziam que esta prova é muito difícil, mas estou feliz por ter vencido”, diz Karie, que pretende treinar bastante e voltar ao Brasil para cumprir o tempo que prometeu.

Marizete treinou três meses para correr a Maratona Internacional de São Paulo e não teve muitos problemas com o clima, pois a baiana de Correntina treina em Brasília, onde mora. “Nesta prova temos que usar muito a cabeça, pois é um percurso difícil. O pessoal reclama muito do clima, mas já estou acostumada, pois treino em Brasília, onde é quente e a umidade do ar baixa”, diz Marizete, 34 anos, que além do prêmio em dinheiro ganhou um carro 0 km, que pretende vender e juntar dinheiro para comprar sua casa.

A terceira colocada, Marlene dos Santos, já tinha o índice para os Jogos Olímpicos, mas decidiu correr a prova paulista para garantir seu lugar na Olimpíada. “Achei que ainda corria o risco de perder a vaga, por isso decidi competir. Apesar de ser uma prova difícil, havia a possibilidade do índice, e as meninas estavam confiantes”, diz Marlene, que agora vai se dedicar aos treinos para Atenas.

Maria Zeferina Baldaia, uma das favoritas e com chances de garantir a presença da terceira mulher na maratona olímpica, caiu no quilômetro 23 da prova e acabou abandonando a disputa. Em agosto, somente Márcia Narloch e Marlene dos Santos correrão os 42 km em Atenas.

Os cinco melhores de cada categoria foram os seguintes: Masculino – 1º. Franck Caldeira (BRA), 2h17min30seg; 2º. Genilson Junior da Silva (BRA), 2h18min30seg; 3º. William Amorim (BRA), 2h20min07seg; 4º. José Cícero Eloy (BRA), 2h21min30seg; 5º. Geovane Jesus dos Santos (BRA), 2h22min13seg; Feminino – 1ª. Margareth Karie (KEN), 2h40min10seg; 2ª. Marizete dos Santos (BRA), 2h42min54seg; 3ª. Marlene dos Santos (BRA), 2h45min31seg; 4ª. Maria do Carmo Arruda (BRA), 2h46min04seg; 5ª. Rosa Jussara Barbosa (BRA), 2h46min26seg.

A X Maratona Internacional de São Paulo foi uma realização da Rede Globo, com organização da Yescom e direção técnica da Events. A supervisão foi da IAAF, CBAt, AIMS e FPA, com apoio de Clacce, Prefeitura de São Paulo, Golden Cross, Halls, Whoops, PowerBar, São Camilo e New Balance. O patrocínio foi da Fiat.

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      fonte: Divulgação, 02 de maio de 2004.      
             

2ª Maratona das Águas - SP

             
      A segunda edição da Maratona das Águas foi disputada neste domingo, dia 21, com a participação de 350 atletas. O percurso de 42,195 km, considerado o mais difícil do Brasil, passou por cinco cidades do interior paulista. Após a largada em Amparo os atletas seguiram para Monte Alegre do Sul, Serra Negra, Lindóia e Águas de Lindóia, chegando na Praça Adhemar de Barros. O campeão masculino foi Marcos Antonio Ferreira Lopes, do Distrito Federal, que venceu com 02:34:51 h, estabelecendo o novo recorde da prova. Em segundo lugar cruzou Lindenbergue Gomes Nunes (02:36:26 h). Ivani Gomes dos Santos, de Três Rios (RJ), venceu entre as mulheres com 03:24:10 h, seguida por Elisa Aparecida Coelho (03:24:53 h), ultrapassada nos últimos quilômetros.

Marcos Ferreira Lopes, 25 anos, correu sua primeira maratona com o objetivo de terminar entre os cinco primeiros colocados e acabou surpreendendo nomes como Lindenbergue Gomes Nunes, campeão da Ultramaratona de Rio Grande (50 km), Luís Antônio dos Santos, campeão do Desafio Praias e Trilhas (82 km), e Renato Dantas de Lucas, triatleta campeão de Ironman."É a realização de um sonho. Sou corredor de 10 mil metros e não estou conseguindo juntar dinheiro para comprar uma casa para o meu pai, então recorri para a maratona. Quanto ao percurso eu achei difícil, mas estava bem preparado, treinei especificamente para essa prova, psicologicamente e fisicamente", disse o brasiliense, que baixou o recorde da competição em quase 13 minutos.

Já Ivani Gomes dos Santos, 42 anos, está acostumada a vitórias em provas de longa distância. A fluminense é tricampeã da Ultramaratona de Rio Grande (1996, 2000 e 2004), mas também precisou correr muito para superar as adversárias. "Eu já vim um pouco travada, porque corri os 50 km de Rio Grande, no dia 15 de fevereiro. Um mês depois correr uma prova longa, principalmente como essa, não é fácil. Felizmente consegui ultrapassar a Elisa, já no final, e abrir uns 300 metros. O percurso é difícil, mas não apenas para uma pessoa. É um desafio para todos os atletas. A organização foi excelente, um delicioso jantar de massas, não tenho o que reclamar", comentou Ivani.

Competidores do Distrito Federal, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pará, Goiás, Bahia, Rio Grande do Sul, Piauí e Uruguai prestigiaram a maratona, que comemora o Dia Mundial da Água (22/03). "O nível técnico dos atletas estava muito forte. Estamos satisfeitos com o crescimento do evento e vamos continuar trabalhando nessa direção", afirma Fernando Vernier, idealizador da Maratona das Águas. A prova distribuiu R$ 5 mil em prêmios para os primeiros colocados, além de pacotes turísticos para Buenos Aires e sorteio de um bilhete aéreo entre os participantes que conseguiram completar a prova dentro do tempo limite de seis horas.

Masculino:
1º - Marcos Antonio Ferreira Lopes - 02:34:51 h
2º - Lindenbergue Gomes Nunes - 02:36:26 h
3º - José Angelo Correa da Silva - 02:37:27 h
4º - Reiner de Abreu Amorim - 02:37:45 h
5º - Adalcio Ferreira dos Santos - 02:37:59 h

Feminino:
1º - Ivani Gomes dos Santos - 03:24:10 h
2º - Elisa Aparecida Coelho - 03:24:53 h
3º - Maria Auxiliadora Venâncio - 03:37:01 h
4º - Elizabet Thomaz Rodrigues - 04:00:19 h
5º - Anna Perez - 04:11:59 h.

fonte: Divulgação, 22 de março de 2004.

     
             
             
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