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A saudável bebida da noite

    A maioria das pessoas conhece os energéticos como o combustível da noite. Muito comuns em boates da moda, jovens misturam-nos com bebidas alcoólicas para ter “pique” durante toda a madrugada. Os fabricantes se defendem dizendo que o produto não representa nenhum mal para a saúde e que pode ser usado normalmente por qualquer pessoa.

Para acabar com todas as dúvidas sobre essa bebida “milagrosa”, que promete dar “asas” e muita disposição a todos os seus consumidores, resolvemos recorrer às pesquisas feitas por dois cientistas do laboratório de metabolismo do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, Luis GG Costa Rosa e Érico Caperuto.

Segundo os especialistas, “os energéticos são bebidas que têm em sua composição carboidratos, cafeína, inositol, glucoronalactona, taurina, algumas vitaminas e minerais, conforme a definição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”.

Analisando uma latinha de um quarto de litro, encontramos 80 miligramas de cafeína – o mesmo que uma xícara de café expresso; 1.000 miligramas de taurina – aminoácido desintoxicante e estimulante; 600 miligramas de glucuraronolactona – desintoxicante; 25 miligramas de niacina – faz bem para a pele e reduz a produção de gordura. Mesmo assim, os energéticos não servem para emagrecer, já que uma latinha possui aproximadamente 112 quilocalorias. Ainda encontramos nos energéticos as vitaminas B e carboidratos.

A taurina é um aminoácido conhecido há muito tempo, essencial ao organismo. O excesso da substância não causa problemas, pois o corpo a elimina naturalmente. A cafeína pode causar a chamada dependência leve, já que é normal tomar um cafezinho após as refeições, Coca-Cola no jantar ou almoço e energéticos quando saímos à noite. Mas o efeito é temporário e a pessoa pode se sentir mal quando esses benefícios acabarem.

Estimulante

Os energéticos são considerados substâncias estimulantes por causa da presença da cafeína em sua fórmula. “A cafeína é uma metilxantina (1,3,7-trimetilxantina) com propriedades revigorantes moderadas”, afirmam os profissionais do Laboratório de Metabolismo do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Portanto, no sistema nervoso central, os efeitos da cafeína se expressam na forma de redução da sensação de fadiga e de sonolência e em maior rapidez de pensamento.
Cuidado: “Com doses elevadas, podem surgir sintomas de nervosismo, ansiedade, insônia, tremores e hiperestesia. A ingestão de doses de cafeína de 85 a 250 miligramas (equivalente a três xícaras de café) aumenta a capacidade de manutenção de esforços mentais”.

A cafeína, por se tratar de uma substância com poder revigorante moderado, é a substância psicoativa mais utilizada no mundo, presente em refrigerantes, café, chá, cacau e seus derivados e chocolates, entre outros alimentos. Segundo pesquisas de nossos consultores, a ingestão de 6 mg/kg de peso corporal aumentou a performance de esquiadores da modalidade cross-country.

Hidratação

Mas o corredor não pode se enganar e consumir os energéticos a fim de reidratar o corpo durante os treinamentos e as competições. “Não é o mais aconselhável, pois eles não têm a proporção adequada de carboidratos nem repositores eletrolíticos (sódio e potássio), além de conter gás e cafeína, que atrapalham o processo de absorção e hidratação. A cafeína tem, por outro lado, um pequeno efeito diurético, o que pode gerar incômodos”, explicam eles.

Contra-indicações

A não ser pela presença da cafeína, não existem contra-indicações quanto à ingestão de energéticos. Se compararmos, uma lata de energético tem a mesma quantidade de cafeína que uma ou duas xícaras de café expresso puro. Tanto corredores quanto indivíduos sedentários podem ingerir energéticos sem restrições, apenas com a preocupação em relação à cafeína, que pode ter efeitos colaterais, como desconforto gastrointestinal e aumento da freqüência cardíaca, entre outros.
“Qualquer pessoa pode ingerir energéticos, exceto mulheres grávidas, pessoas sensíveis à cafeína, idosos, lactantes, cardiopatas e crianças”, afirmam os pesquisadores.

Quem sofre de alterações cardíacas precisa ter cuidados redobrados, porque a cafeína aumenta a força de contração e a freqüência cardíaca, provocando arritmias e taquicardias e aumentando – e muito – a necessidade de oxigênio. Com isso, os cardiopatas que consumirem energéticos podem até sofrer infartos e morrer.

Tipos de energéticos

Qualquer mudança na fórmula dos energéticos é vetada por uma portaria da Anvisa; isso é, muda-se a marca, muda-se o sabor, mas a composição continua a mesma.

Nossos cientistas ainda explicam que há alguns anos foi desenvolvida uma fórmula alternativa, com Pfaffia paniculata, uma erva brasileira, sem taurina, com comprovada ação ergogênica e segurança de uso, mas que ainda está em observação pela Anvisa.

Para que servem

“Eles funcionam como bebidas estimulantes, melhoram o estado de alerta e diminuem a sensação de fadiga, além de conter em sua composição os carboidratos, que são a principal fonte de energia para o corpo”, avaliam.

Cuidados

Apesar de não haver contra-indicações, os energéticos devem ser usados com cuidado, os mesmos cuidados que se tem em relação à ingestão de café. A ingestão deve ser limitada. “Mas o energético é alternativo ao sabor do café, que tem efeitos estimulantes semelhantes, contendo ainda carboidratos, sendo, portanto uma boa opção para quem precisa de um estímulo extra.”

Energético brasileiro

Sabidamente, as bebidas energéticas têm seu uso associado ao consumo de bebidas alcoólicas. “De fato, à taurina, presente na fórmula dos energéticos, tem sido imputado um papel de estimulante indireto do consumo de álcool após condicionamento, em experimentos com modelos animais (Quertemont et al., Alcohol, 16:201-206, 1998). Assim, o maior uso desse tipo de bebida ocorre de noite.”

Foi na tentativa de criar uma bebida energética voltada para o público fisicamente ativo que o Laboratório de Metabolismo do Instituto de Ciências Biomédicas da USP desenvolveu, com a empresa Horizonte, uma fórmula sem taurina e com a adição da Pfaffia paniculata, erva encontrada no Brasil, com propriedades semelhantes às do ginseng.

“Essa formulação gerou um produto com efeito ergogênico, detectado em experimentos com animais, incapaz de interferir no consumo de álcool, inofensivo à saúde e com as propriedades estimulantes da cafeína, contendo ainda carboidrato, principal substrato energético para atividades de intensidade moderada/alta. Hoje, a possibilidade de comercialização desse produto está sendo avaliada pela Anvisa.”

Quem inventou

O empresário austríaco Dieter Mateschitz, em 1989, importou do Japão um xarope usado contra o sono. Foi então que surgiu o Red Bull, com o objetivo de deixar os consumidores, sobretudo os esportistas, “ligados”. Na Europa, há mais de 60 marcas da bebida. São autorizadas também nos EUA, onde se consome em média 1 milhão de latinhas por mês.

fonte: http://www2.uol.com.br/runningbr - Texto Aguinaldo Pettinati

Consultores Luis GG Costa Rosa e Érico Caperuto.

   
         

 

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