Seul 1988
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A escolha de Seul como sede
dos Jogos de 88 foi controvertida e por pouco não se
converteu em novo cenário de briga política. Afinal, a
Coréia do Sul, de orientação norte-americana, ainda
estava tecnicamente em guerra contra os comunistas da Coréia
do Norte, numa luta que deixou milhares de mortos. Apesar de algumas ameaças de boicote - no final, assumido unicamente por Cuba - a paz voltou ao esporte. |
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| Os comunistas deram sua
resposta aos norte-americanos e dominaram os Jogos. A
URSS faturou 132 medalhas (55 de ouro), seguida pela
Alemanha Oriental, com 102 (37 de ouro). No total, foram
6.983 homens e 2.438 mulheres, de 160 países. O Brasil
faturou seis medalhas (uma de ouro, duas de prata e três
de bronze). Seul marcou o fim da era amadora no esporte internacional, ainda que algumas modalidades esportivas tenham resistido ao profissionalismo por mais de uma década. O Comitê Olímpico Internacional admitiu a presença dos tenistas profissionais, embora o torneio olímpico ainda não valesse medalhas, e assim houve espaço para a final entre Steffi Graf e Gabriela Sabatini, um marco que tornaria possível a chegada dos astros da NBA nos Jogos de Barcelona, quatro anos depois. Os Jogos de Seul também foram os últimos do poderoso time da Alemanha Oriental. Em novembro de 1989, o muro de Berlim caiu e, com ele, a devoção cega ao esporte construída pelo comunismo. O acaso quis que uma das estrelas de 88 fosse justamente uma jovem da Alemanha Oriental, Kristin Otto, de 22 anos, que ganhou seis medalhas na natação, um recorde no esporte feminino em se tratando de uma única olimpíada. Mais surpreendente ainda foi o fato de ter ganhado medalhas em três estilos diferentes: nado livre, nado costas e borboleta, proeza que nem mesmo Mark Spitz alcançou. Otto se aposentou após Seul e retornou a Berlim para participar dos movimentos revolucionários que levaram à derrubada do muro. No início dos anos 90, os técnicos da Alemanha Oriental começaram a confessar prática ilegal de treinamento, tais como o uso de esteróides, muitas vezes sem o conhecimento dos atletas. Kristin Otto se indignou com a insinuação que ela também teria se valido de doping. "Ninguém poderá tirar meu sucesso em Seul. Eu era como o Mark Spitz, as medalhas foram resultado de anos de trabalho. Mas não posso ter certeza sobre o que foi colocado na minha comida". Foram justamente os esteróides que provocaram o grande escândalo dos Jogos, quando o canadense Ben Johnson foi pego no exame antidoping e perdeu a medalha de ouro e o recorde mundial nos 100 metros. Saiu foragido da Coréia, ficou quatro anos suspenso e depois fez seu retorno às pistas. Mas um segundo positivo por anabolizante acabou por eliminar Johnson definitivamente do esporte. O Brasil não repetiu em Seul o desempenho de Los Angeles, mas teve resultados inesperados. O melhor deles aconteceu no judô que, após uma série de conquistas de prata e bronze iniciada em 72, finalmente alcançou o lugar mais alto do pódio. O primeiro ouro olímpico do judô brasileiro - e também o único daquela delegação - foi conquistado pelo judoca paulista Aurélio Miguel, na categoria meio-pesado. Aurélio vinha obtendo importantes resultados internacionais desde 83, incluindo o vice-campeonato na tradicional Copa Jigoro Kano e o ouro nos Jogos Pan-americanos de 87. Miguel tinha conquistado medalha em todos os grandes torneios preparatórios europeus antes de ir a Seul. |
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